
Este foi o título de uma notícia de ontem do Jornal de Notícias.
Começava assim:
"Francisco, de 13 anos, sofre de Síndrome de Asperger, doença que afecta as capacidades de comunicação .... Dormiu em carruagens ... comeu chupa-chupas e outros alimentos, nunca comprados na estação. Nunca pediu ajuda a ninguém, o que especialistas dizem ser comum devido à sua patologia ..."
Porque a Educação Especializada, é a minha área de formação, considero importante falar desta doença que tardiamente é diagnosticada e acompanhada, devido à falta de conhecimento por parte dos profissionais, nomeadamente dos professores e educadores.
Embora as pessoas portadoras desta patologia, não tenham um atraso significativo no
desenvolvimento cognitivo, é importante que a criança receba educação especializada o mais cedo possível para auxiliar o indivíduo a contornar os problemas de comportamento que apresenta e também para ajudar a direccionar os campos de interesse e de estudo da criança, evitando assim que ela cada vez mais se distancie dos padrões da normalidade.
Esta síndrome parece representar uma desordem neurobiológica que é muitas vezes
classificada como uma Pervasive Developmental Disorders (PDD). É caracterizada por desvios e anormalidades em quatro amplos aspectos do desenvolvimento:
omportamento não-verbais peculiares que dificultam a interacção social;
falha no desenvolvimento de relações com pares da sua idade;
falta de interesse espontâneo em dividir experiências com outros;
falta de reciprocidade emocional e social.
Apesar de existirem algumas semelhanças com o Autismo, as pessoas com Síndrome de
Asperger geralmente têm elevadas habilidades cognitivas (pelo menos Q.I. normal, às vezes indo até às faixas mais altas) e funções de linguagem normais, se comparadas a outras desordens ao longo do espectro do autismo
Apesar de poderem ter um extremo comando da linguagem e vocabulário elaborado, estão
incapacitadas de o usar em contexto social e geralmente têm um tom monocórdico, com alguma nuance e inflexão na voz.
Crianças com Síndrome de Asperger, podem ou não procurar uma interacção social, mas têm sempre dificuldades em interpretar e aprender as capacidades da interacção social e emocional com os outros.
O mais óbvio marco da Síndrome de Asperger e a característica que faz dessas crianças tão únicas, é a sua peculiar idiossincrática área de “interesse especial”. Em contraste com o mais típico Autismo, onde os interesses são mais para objectos ou parte de objectos, na SA os interesses são mais frequentes por áreas intelectuais específicas. (Bauer, 1995).
Devido ao facto de a Síndrome de Asperger ser relativamente recente no
desenvolvimento da Psicologia e Psiquiatria, muitas das abordagens ainda estão em fase inicial e muito trabalho ainda necessita de ser feito nesta área.
É óbvio para todos, que quanto mais cedo o tratamento começar, melhor será a sua
recuperação. Isto implica tratamento a nível psicoterapeutico, a nível educacional e social.
O
Treino de Competências Sociais é um dos mais importantes componentes do programa de
tratamento. Crianças com esta síndrome podem ser ajudadas na aprendizagem social através de psicólogos preparados. A linguagem corporal e a comunicação não-verbal podem ser ensinadas da mesma maneira que se ensina uma língua estrangeira.
Os pais, professores e educadores devem estar atentos às necessidades especiais que estas crianças precisam.
O mais importante ponto de partida para ajudar os estudantes com SA a funcionar
efectivamente na escola é que todos que tenham contacto com a criança, compreendam que a criança tem uma desordem de desenvolvimento que a leva a comportar-se e a responder de forma diferente dos demais estudantes.
Muito frequentemente, o comportamento dessas crianças é interpretado como “emocional” ou “manipulativo” porque não se distancia a forma
como eles respondem diferentemente ao mundo e seus estímulos.

Ao compreender-se, o staff da escola precisa individualizar a sua abordagem para cada uma dessas crianças; não funciona tratá-los da mesma forma que os outros estudantes. (Bauer, 1995)
Retirado de Paulo Teixeira - FPULP
De forma alguma este assunto se esgota nestas linhas. Considera-se apenas como que o "levantar do véu" sobre esta problemática