E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.
Eugéniode andrade

A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.
E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
redescobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.
Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
O único presente verdadeiro é teres partido.
Casais Monteiro
3 comentários:
Licas
Um abraço muito apertado e sentido.
Beijinho e muita FORÇA!
Laura
O único presente verdadeiro é teres partido....
E será sempre assim! Ontem, dia 8 de Março, ironicamente dia Internacional da Mulher, fez 13 anos que fiquei sem o companheiro e amor da minha vida... Vida que, nunca mais foi a mesma. Vive-se quase por homenagem a quem partiu.
No meu espaço tenho um poema do meu filho, ele que tambem perdeu tanto!!
Um abraço muito forte e amigo para ti
Graça
Penso que escrever às vezes ajuda e o tempo também.
um beijinho e força
Gábi
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