sexta-feira, 9 de março de 2012

FAZ AMANHÂ (10 de Março) UM ANO -- Fiquei sem ti

Sem ti

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.

Eugéniode andrade





A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
redescobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido.

Casais Monteiro

3 comentários:

acácia rubra disse...

Licas

Um abraço muito apertado e sentido.

Beijinho e muita FORÇA!

Laura

Graça Pereira disse...

O único presente verdadeiro é teres partido....
E será sempre assim! Ontem, dia 8 de Março, ironicamente dia Internacional da Mulher, fez 13 anos que fiquei sem o companheiro e amor da minha vida... Vida que, nunca mais foi a mesma. Vive-se quase por homenagem a quem partiu.
No meu espaço tenho um poema do meu filho, ele que tambem perdeu tanto!!
Um abraço muito forte e amigo para ti
Graça

redonda disse...

Penso que escrever às vezes ajuda e o tempo também.
um beijinho e força
Gábi