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domingo, 22 de março de 2009

INTEGRAÇÃO É POSSÍVEL COM INTERVENÇÃO PRECOCE


No Dia Mundial da Trissomia 21, Portugal tem razões de orgulho: estas crianças frequentam o sistema regular de ensino e lêem cada vez mais cedo. Mas ainda é preciso desmistificar a doença e garantir integração profissional.

O retrato optimista é traçado por Miguel Palha, médico e fundador da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21), tarefa em que se empenhou depois de ultrapassar o "choque" do nascimento da sua filha Teresa, portadora do síndrome de Down. Hoje com 22 anos, Teresa preside à associação, enquanto o pai assume a direcção clínica do Centro de Desenvolvimento Infantil "Diferenças", um dos mais avançados da Europa e do Mundo, garante o pediatra.

Criado em 2004, em Chelas, Lisboa, o centro desenvolveu vários programas específicos de intervenção para a trissomia 21 e outras perturbações de desenvolvimento. Tem a maior casuística mundial de trissomia (apoia actualmente 1200 crianças) e uma das maiores a nível europeu de dislexia, perturbações da linguagem e perturbações do espectro do autismo. Ao todo, os cerca de 100 profissionais que ali trabalham - entre pediatras do desenvolvimento, psicólogos e terapeutas ocupacionais e da fala - acompanham nove mil crianças de todo o país e são também procurados por pais do estrangeiro.

A aprendizagem da leitura e o desenvolvimento da linguagem são os grandes avanços apontados por Miguel Palha.

"Quando começámos a trabalhar, apenas 5% dos miúdos com trissomia 21 liam. Neste momento, 80% estão a ler até aos 8 anos", disse ao JN, congratulando-se com o facto de, aos 10 anos, virtualmente, todos os meninos com trissomia 21 estarem integrados no sistema regular de ensino. "São os melhores resultados em qualquer parte do mundo", afiança.

Contudo, o médico não esconde as dificuldades. "Estes meninos são vulneráveis. Estão em desvantagem na sociedade", nota, lançando um apelo aos pais para se "anteciparem", por forma a iniciar-se uma intervenção "o mais precoce e eficaz possível".

Foi o que fez Francisca Prieto, 37 anos, mãe de uma menina com trissomia 21 e fundadora do grupo Pais 21. Pelo facto de estas crianças serem muito sensíveis a infecções e problemas respiratórios, Francisca decidiu que, nos primeiros dois anos, a filha ficaria com ela em casa. Mas assim que a pequena Francisca atingiu os 3 anos (a menina, terceira de quatro filhos, herdou o nome da mãe), os pais decidiram inscrevê-la no infantário. "Estava na altura de ir brincar com os amigos", explica a mãe, que "todos os dias" se surpreende com o seu desenvolvimento.
Apesar de reconhecer que "hoje as pessoas estão mais abertas para olhar o que é diferente", Francisca não esquece os comentários de espanto dos amigos, quando lhes respondia que ia levar até ao fim a gravidez, mesmo sabendo de ante-mão que a sua bebé teria trissomia 21. Hoje, ainda são muitos os que se surpreendem quando Francisca lhes diz que a menina frequenta o ensino regular.
Foi para combater estes estigmas que, há um ano, juntamente com outros pais, Francisca decidiu constituir a Pais 21. Um grupo de familiares e amigos de portadores de trissomia 21 (actualmente, reúne cerca de 200 pessoas) que comunica diariamente através da internet, troca dúvidas, partilha experiências e organiza actividades, como a campanha que pôs agora na rua, para mostrar as capacidades dos seus filhos.

O seu objectivo é envolver o maior número de pessoas a "trabalhar para a inclusão" e garantir que, tal como conseguiram inscrever os filhos na escola, um dia eles também terão lugar no mercado de trabalho.

O pediatra do Desenvolvimento Miguel Palha disse ontem também que Portugal tem dos melhores níveis do mundo de integração na sociedade das crianças e adultos portadores de Trissomia 21.
Existem em Portugal entre 10 a 12 mil pessoas com Trissomia 21 e, segundo Miguel Palha, 100 por cento das crianças até aos dez anos estão integradas no sistema regular de ensino.


A Trissomia 21 (ou Síndrome de Down) foi descrita pela primeira vez com pormenor por um médico inglês, John Longdon, em 1866, sendo uma patologia (alteração) congénita, que causa um atraso no desenvolvimento físico e intelectual.
Esta doença - causada pela presença de um cromossoma 21 a mais (três, em vez de dois) - afecta cerca de 0,2 por cento (um em cada 500) dos recém-nascidos.
Actualmente, de acordo com Miguel Palha, o avanço científico permite identificar esta doença em 90 a 95 por cento dos fetos.

Segundo o pediatra do desenvolvimento, disse que além de Portugal ser dos países com maiores níveis de integração, é também dos mais avançados em termos de técnicas e metodologias educativas.
Por outro lado, acrescentou, na maioria dos centros de apoio é possível prestar cuidados de ordem médica e educativa.

Miguel Palha explicou que no Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças é desenvolvido um conjunto de metodologias específicas para o ensino da leitura, escrita e do comportamento a portadores da doença.

Relativamente às escolas públicas, o pediatra do desenvolvimento explicou que tem de haver adaptações, mas que, genericamente, o processo de integração tem corrido bem, embora estas crianças necessitem, obviamente, de um técnico de ensino especial que ajude a construir um programa adequado que facilite a sua integração na comunidade.
No que respeita à integração de pessoas com Trissomia 21 no mercado de trabalho, Miguel Palha explicou que há várias instituições a trabalhar com sucesso nesta área e que nos próximos dez anos 90 por cento dos adultos deverão estar integrados.
Estas pessoas, explicou, têm uma capacidade comunicativa extraordinária.

"O que é mais fascinante nos miúdos com Trissomia 21 é a capacidade de interagir, é o prazer relacional, o despojamento material e o prazer de estar com os outros", disse.

Num momento em que o mundo é essencialmente materialista, adiantou, estas crianças, jovens e adultos preocupa-se com as pessoas.
"Questionam por que está a mãe triste, por que não ri o amigo Pequenas coisas com as quais ninguém se preocupa hoje em dia", frisou.
Questionado sobre a eventual marginalização social das pessoas com Trissomia 21, Miguel Palha referiu que todas as pessoas com diferenças são marginalizadas, mas defendeu que a sociedade portuguesa evoluiu.
"Hoje em dia a maior parte das pessoas ensina aos filhos que as diferenças devem ser aceites e a perspectiva é completamente diferente de há 20 anos. E daqui a 20 anos vai ser diferente de hoje. Estamos no bom caminho", disse.

A Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 foi fundada em 1990 para dinamizar todas as acções relacionadas com os aspectos científicos, educativos e sociais da doença Trissomia 21.
As primeiras opções estratégicas da Associação foram a prestação de cuidados a crianças afectadas por esta doença genética.
Pouco depois, a Associação introduziu em Portugal "as mais modernas metodologias de avaliação e de intervenção" relacionadas com esta patologia, experiência que foi posteriormente generalizada a outras doenças.

Desde então, a instituição proporciona programas de intervenção específicos para a síndrome do X Frágil, para a Síndrome de Williams e para os Défices Cognitivos (atrasos mentais) com ou sem causas conhecidas.

Desde 1995 que a Associação faculta cuidados específicos a crianças e a adolescentes com outras perturbações do desenvolvimento, designadamente com Dificuldades de Aprendizagem, Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção, Perturbações da Linguagem, Perturbações da Coordenação Motora, Autismo e Síndrome de Asperger.
Em Janeiro de 2004, O Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças iniciou as suas actividades, sendo uma unidade autónoma da APPT21.

1 - Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21
Fundada em 1990, a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21) - Instituição Particular de Solidariedade Social - é uma associação de beneficência, sem fins lucrativos, cujos principais objectivos são a dinamização de todas as acções relacionadas com os aspectos científicos, educativos e sociais da doença Trissomia 21 (mongolismo ou síndrome de down).

Morada: Rua Dr. José Espírito Santo
lote 49, loja 1, Chelas
1950-094 Lisboa
Telefone: 21 837 16 99
E-mail: geral@appt21.org.pt
Website: http://www.appt21.org.pt



2 - O Centro de Desenvolvimento Infantil de Braga abriu com o objectivo de proporcionar cuidados especí­ficos a crianças e adolescentes com Perturbações de Desenvolvimento.

Rua Custódio Vilas Boas nº13 r/c
4700-000 Braga
Tlm: 961235497 e-mail: cdibraga@hotmail.com


A nossa equipa, para além da sua formação base individual, segue a teoria e o método da Escola de Desenvolvimento da APPT21, Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças (Lisboa).

Colaboramos com a Caleidoscópio - Associação de Apoio e Terapêutica às Perturbações de Desenvolvimento e Associação do Minho de Portadores de Trissomia 21.


jn.sapo.pt e Diferenças

sexta-feira, 27 de junho de 2008

OLÁ, REGRESSEI!

É verdade!
Regressei do tal solzinho reconfortante para os ossos.
Trouxe comigo esta canção de Rui Veloso, bem a propósito dos namoricos de verão...

Estas duas semanas foram de descanso, reflexão e até de avaliação de um ano de trabalho.
Apesar de no princípio o tempo não estar famoso, aproveitei para dar umas braçadas na piscina, apanhar umas tantas ondas ultra-violetas, andar ... andar muito e sobretudo pôr a leitura em dia.
Que bem que me souberam todos estes momentos vividos a dois.

Mas acreditem!
Também senti falta deste espaço.
Falar convosco dá-me alento e entusiasma-me.
Faz-me sentir mais jovem, porque aprendo e partilho alguns dos meus conhecimentos.
Por falar nisso vou recomendar-vos dois livros que acabei de ler: Um, o 1808, de carácter histórico. Conta-nos a partida e estadia da família real no Brasil de 1808 a 1821. É interessante!
Quem ainda acredita em histórias de príncipes e princesas a viverem num grande fausto, cheios de mordomias e com tratamento e higiene VIP, desengane-se ...

O outro um romance de Modignani - A Cor da Paixão - Retrata uma vida de coragem, amor e ódio de uma jovem do nosso tempo.
Leiam! É levezinho, próprio para umas férias na praia ou no mais recôndito espaço rural.

E vós, que me contam?

Um abraço
Licas

quinta-feira, 12 de junho de 2008

FRANZ LISZT


Franz Liszt (1811-1886) Húngaro

A peça musical que acompanhou este blog, até eu regressar de umas férias à beira-mar, foi o Sonho de Amor de Liszt.

Na altura em que coloquei essa música, deixei um pouco da biografia deste compositor do século XIX e mantenho-a hoje, embora a música de abertura não seja a mesma, para que sirva por mais uns tempos de informação aos interessados.

Liszt, compositor e pianista húngaro nasceu em 1811, em Raiding, na Hungria, e morreu em 1886, em Bayreuth, na Alemanha. Entre as suas composições mais notáveis encontram-se doze poemas sinfónicos, dois concertos para piano, vários trabalhos corais e uma enorme variedade de peças para piano.

Aos seis anos revelou tanto talento para o piano, que o príncipe Nicolas Esterházy proporcionou à família Liszt meios para se instalar em Viena, para que Franz tivesse a educação musical adequada. Aos oito anos era já aluno de Czerny, de quem recebeu uma sólida preparação pianística e musical, incluindo a técnica de leitura de pauta à primeira vista e a improvisação. Mais tarde, a sua memória era tal que era capaz de tocar de cor partituras complexas que ouvira apenas uma vez. No entanto, em 1823, não foi autorizado a ingressar no Conservatório de Paris por ser estrangeiro, o que o levou a concluir sozinho a sua preparação pianística, continuando com Anton Reicha e com Ferdinando Paër os estudos de composição que começara com Salieri. Pouco depois, viajou por vários países europeus, onde obteve uma enorme fama de concertista. Nessa altura, relacionou-se com Victor Hugo, com Lamartine, com G. Sand, com Chopin e com Berlioz.

Depois da revelação de Paganini, em 1831, Liszt mostrou-se tão interessado que resolveu transferir a técnica do violinista para o seu piano, compondo uma fantasia na peça Campanella. Nessa altura, conheceu Frédéric Chopin, cujo estilo poético musical exerceu em si uma enorme influência. Entre as suas 700 composições, destacam-se Sinfonia Revolucionária (1830), Rapsódias Húngaras (1839-40), A Faust Symphony (1854), A Symphony to Dante's Divina Commedia (1855-56), Sonata para Piano em Si Menor (1852-53), Concerto para Piano e Orquestra N.º 1 em Mi Bemol Maior (1849) e Concerto para Piano e Orquestra N.º 2 em Lá Maior (1839).

Liszt não foi apenas o maior pianista da sua época, foi também um compositor extremamente original e uma figura de destaque no movimento romântico. Como professor, formou alguns dos maiores pianistas da geração seguinte. O seu estilo pianístico, que influenciou Debussy e Ravel, caracterizava-se pela flexibilidade, pela liberdade de execução, pela procura de sonoridades novas e efeitos orquestrais. Quanto ao seu estilo cromático, exerceu uma enorme influência em Richard Wagner. Liszt foi também o criador do poema sinfónico para orquestra e do método de "transformação de temas", em que cada um dos temas, em diferentes formas, pode fornecer bases para um trabalho inteiro. Todas as suas inovações permitiram-lhe desempenhar um papel determinante na música moderna.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

FESTAS DE S. JOÃO



Como provavelmente não poderei postar nada mais antes do S. João, não quero deixar de prestar homenagem a este santo intimamente ligado à Cidade do Porto e de partilhar com todos a origem e significado desta festa popular que transforma uma noite de verão, numa noite mística e até digamos, fraterna.

A HISTÓRIA

S. João do Porto, eremita natural do Porto, ( séc. IX ), viveu a sua vida eremítica na região de Tuy, em frente a Valença, tendo sido sepultado em Tuy. No séc. XVII ainda aí se conservavam as sua relíquias, de grande veneração entre os fieis, que acreditavam que S. João os salvaria das febres. Diz a tradição , que a cabeça de S. João do Porto, foi trazida pela Rainha Mafalda no séc. XII, para a Igreja de São Salvador da Gandra e que parte dessa relíquia teria sido levada para a capela da " Santa Cabeça ", na Igreja de N ª Sra. Da Consolação, na Cidade do Porto. O facto da sua festa se ter celebrado a 24 de Junho talvez explique o facto de ter o seu culto sido absorvido pelo de S. João Baptista, cujo nascimento ocorreu no mesmo dia 24 de Junho. O povo dedicou a este santo através dos tempos, forte devoção e grandes festas, mantendo-se ainda hoje muito viva a tradição das fogueiras de S. João de origem muito antiga, ao mesmo tempo que substituíam as festas pagãs do solstício.

Festa de forte caris popular, o S. João do Porto nasce espontaneamente. É normalmente depois do jantar do dia 23 de Junho, constituído por sardinhas assadas, batatas cozidas e pimentos ou entrecosto e fêveras de porco na brasa,que os grupos de amigos começam a encontrar-se, organizando rusgas de S. João, como são chamadas.
As pessoas inicialmente, muniam-se de alhos pôrros e molhos de cidreira, para baterem suavemente na cabeça de quem por elas passavam, promovendo uma interligação alegre e amistosa entre as pessoas. Actualmente as "armas" são outras, mudaram para martelos de plástico, duros e ruidosos, mas que acabaram por ser bem aceites e hoje já fazem parte da tradição.
Há alguns anos atrás, o S. João limitava-se a uma área central da cidade desde as Fontainhas até à Praça de Lisboa, e no retorno, subindo-se a R. de S. António, estava praticamente concluído o percurso obrigatório pela baixa da cidade.
Este percurso, que junta para cima de meio milhão de pessoas, que torna as ruas pejadas de gente, não há geralmente atropelos e as possíveis zaragatas são de imediato sustidas pelos populares.
Hoje em dia a festa do S. João, estendeu-se até a Ribeira e à Boavista e Praias da Foz.

O S. João do Porto é uma festa onde ricos e pobres convivem uma noite de inteira fraternidade e onde a festa é constante.


Mas muita da tradição ainda se mantém: Em barracas ou espalhados pelo chão lá estão os manjericos ( Planta tradicional do S. João ) , as tendas das fogaças, as farturas, o algodão doce, as pipocas, as barracas da sardinha assada e dos comes e bebes. Os matraquilhos, os carroceis, as pistas dos carros. As tendas de venda das louças de barro, das cutelarias, o tiro ao alvo e as tômbolas. Durante toda a noite, centenas de balões são lançados e muito fogo de artificio particular é queimado, pela meia-noite o tradicional fogo de artificio da Câmara Municipal, faz sempre furor pela sua beleza. No fim e já alta madrugada é ver os foliões procurarem as padarias onde o pão acabado de fazer e ainda quentinho vai confortar as barrigas para um merecido descanso.


A História de um Feriado

( Texto original, publicado na Revista Ponto de Encontro de Julho de 2001 )


Os festejos de S. João na cidade do Porto são já seculares e a origem desta tradição cristã remonta mesmo a tempos milenares. Mas foi só no século XX que o 24 de Junho passou a ser feriado municipal na Invicta, proporcionando um merecido dia de folia a milhares de tripeiros. E tudo graças a um decreto republicano e a um referendo aos portuenses, promovido pelo Jornal de Notícias. A história é curiosa e mostra o protagonismo que, já na altura, a Comunicação Social tinha no modus vivendi urbano. Estávamos em Janeiro de 1911 e a República Portuguesa dava os primeiros passos. A monarquia tinha sido destronada apenas três meses antes, com a revolução de 5 de Outubro de 1910. O Governo Provisório da República assumia a governação do país e, desde logo, começava a introduzir mudanças na sociedade portuguesa que espelhavam, muito naturalmente, os ideais da nova ordem republicana. Numa tentativa de implementar a nova ordem junto da população, o Governo Provisório redefiniu os dias feriados em Portugal. Por decreto, a República instituiu como feriados nacionais o 31 de Janeiro (primeira tentativa - falhada - de revolução republicana, em 1891, no Porto), o 5 de Outubro (instauração da República) e o 1º de Dezembro (restauração da independência em 1640), para além do Natal e do Ano Novo. Mas o mesmo decreto impunha, a cada município do país, a escolha de um dia feriado próprio: "As câmaras ou commissões municipaes e entidades que exercem commissões de administração municipal, proporão um dia em cada anno para ser considerado feriado, dentro da area dos respectivos concelhos ou circumscripções, escolhendo-os d'entre os que representem factos tradicionaes e característicos do município ou circumscripção". E foi com este propósito que a Comissão Administrativa do Município do Porto reuniu a 19 de Janeiro de 1911. Segundo o relato do Jornal de Notícias, o "velho e conceituado republicano, sr. Henrique Pereira d'Oliveira" logo sugeriu a data de 24 de Junho para feriado municipal. O facto não causa espanto. Afinal de contas, o S. João era, já na altura, uma festa com longa tradição na cidade do Porto. A primeira alusão aos festejos populares data já do século XIV, pela mão do famoso cronista do reino, Fernão Lopes. Em 1851, os jornais relatavam a presença de cerca de 25 mil pessoas nos festejos sanjoaninos entre os Clérigos e a Rua de Santo António e, em 1910, um concurso hípico integrado nos festejos motivou a presença do infante D. Afonso, tio do rei (a revolução republicana apenas se daria em Outubro).

Referendo popular

Contudo, a sugestão de Henrique d'Oliveira de eleger o S. João como feriado municipal da Invicta foi contestada por outros membros da Comissão Administrativa do Município do Porto, que mostraram opiniões diversas. Foi então que "o sr. dr. Souza Junior lembrou, inspirado n'um alto princípio democrático, que não devia a Commissão deliberar nada sem que o povo do Porto, por qualquer forma, se pronunciasse em tal assumpto". Para solucionar o imbróglio, o Jornal de Notícias dispôs-se a organizar um surpreendente referendo popular para escolher o feriado municipal. Logo no dia 21 de Janeiro, somente dois dias após a reunião da Comissão Administrativa, foi colocado na primeira página do jornal o anúncio da "Consulta ao Povo do Porto", explicando toda a situação e a forma de participação. As pessoas teriam que enviar, até ao dia 2 de Fevereiro, "um bilhete postal ou meia folha de papel dentro de enveloppe" para a redacção do jornal, com a indicação do dia de sua preferência. E, para recompensar o trabalho dos leitores, o Jornal de Notícias oferecia "dez valiosos premios" - o mais valioso era de 10 mil réis, cerca de cem escudos - a serem sorteados de entre todos aqueles que votassem no dia eleito. Nos dias seguintes, o Jornal de Notícias fez o relato diário da emocionante votação. A vitória foi quase só discutida entre o dia de S. João, já com larga tradição na cidade, e o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, a que não será alheio o facto de a cidade do Porto ser considerada "a capital do trabalho". No dia 22 de Janeiro já se davam conta dos primeiros resultados: "a votação de hontem, que foi grande, dá maioria ao 1 de Maio, seguido pelo 24 de Junho (S. João) e N. S. Conceição [8 de Dezembro]". No dia 24 - o Jornal de Notícias não foi publicado no dia 23, segunda-feira, porque o matutino encerrava ao domingo! -, deu-se uma reviravolta nos resultados: o 24 de Junho trocava de lugar com o 1º de Maio, ficando na posição de mais votado. Porém, a 25, num dia em que "a votação cresceu imenso", o 1º de Maio quase passava novamente para a liderança da votação. Mas foi no dia 26 de Janeiro que o resultado da votação começou a ficar definido, ao que muito se deve a forte participação popular do dia anterior, como relata o Jornal de Notícias desse dia: "Só hontem vieram tantos votos como em todos os dias anteriores. O dia de S. João tem enorme maioria. O dia 1 de Maio já está muito em baixo". E, a 27, o próprio jornal já dava como certo o vencedor: "Positivamente o dia mais votado é o de S. João. O dia 1 de Maio fica muito para trás. Augmenta bastante o de N. S. Conceição". Durante os dias seguintes foram publicados os resultados provisórios diários, sem que tivesse havido alterações de maior no sentido de voto dos portuenses. Até que, a 4 de Fevereiro de 1911, foram publicados os totais finais da consulta popular: o dia 24 de Junho foi o mais votado, com 6565 votos, seguido pelo 1º de Maio, com 3075 votos, o dia de Nossa Senhora da Conceição, com 1975 votos, e o dia 9 de Julho, com oito. "Ficou, pois, vencedor o dia de S. João que é aquele que o povo do Porto escolhe para ser o de feriado municipal". Só não se sabe se o vencedor do sorteio chegou a receber os seus 100 escudos, pois registada só ficou a promessa de que "o sorteio dos 10 prémios a que esta consulta dá lugar far-se-á em um dos próximos dias"...

Texto originalmente publicado na revista "Porto de Encontro", Julho de 2001.

10 DE JUNHO


DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS NO MUNDO

As origens do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades remotam ao ínicio do século XX (1924). O Dia de Camões começou a ser festejado a nível nacional com o Estado Novo (um regime instituído em Portugal por António de Oliveira Salazar, em 1933).

Segundo Conceição Meireles (investigadora especialista em História Contemporânea de Portugal), Luís Vaz de Camões (Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524 — Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.

Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça. Oliveira Salazar, na inauguração do Estádio Nacional em 1944, tinha denominado também o dia 10 de Junho como o Dia da Raça em memória das vítimas da guerra colonial. A partir de 1963, o feriado do 10 de Junho assumiu-se como uma homenagem às Forças Armadas e numa exaltação da guerra e do poder colonial. A segunda republica não se revê neste feriado, pelo que, em 1977, o Governo Democrático Português decretou que o “Dia 10 de Junho”, devia ser uma trindade.
“Dia de Portugal”, “Dia de Camões” e “Dia das Comunidades Portuguesas Espalhadas pelo Mundo”.

Os emigrantes aceitam de bom grado o Dia de Camões como “Dia do Emigrante Português”, pois O POETA também foi emigrante durante dezassete anos.

Termino com a letra do CANTO I da epopeia "Os Lusíadas", obra mais significativa de Luis Vaz de Camões, que de há muitos anos a esta parte é cantada em todas as actuações do Orfeão Universitário do Porto e da Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade do Porto, com a desiganção : "A PROPOSIÇÃO DOS LUSÍADAS"


CANTO I

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Com esta letra, evoco e venero este Grande Poeta Português e ainda o Orfeão Universitário do Porto e a Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade do Porto, que há muito, muitos anos, faz dela a sua eterna canção.

Aonde quer que seja cantada, desde que pelo OUP, ou pela AAOUP, vão ao palco fazer parte do coro, todos os antigos Orfeonistas da Universidade do Porto, presentes na sala ou no recinto em causa, quer pertençam ou não à Associação.

Bem-Haja Luis de Camões!

O Meu respeito a todos os EMIGRANTES espalhados pelo mundo!

Um grande aplauso ao OUP e à AAOUP.





Uma Homenagem da Licas

segunda-feira, 26 de maio de 2008

QUEM FOI BEETHOVEN?



A Música que abriu até ao dia 11-06-08 este blog era a "SONATA AO LUAR de LUDWIG van BEETHOVEN

Beethoven (Bonn, 16 de Dezembro de 1770 — Viena, 26 de Março de 1827) foi um compositor erudito alemão do período de transição entre o Classicismo e o período Romântico. É considerado o maior e mais influente compositor do século XIX. Suas 32 sonatas para piano são consideradas o “Novo Testamento da Música”, sendo o “Cravo Bem-Temperado” de Johann Sebastian Bach, o “Antigo Testamento”.

De 1816 até 1827, ano da sua morte e já práticamente surdo, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais.
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quarta-feira, 21 de maio de 2008

O MEU CANTINHO PREDILECTO 1

Olá Amigas

Muitas de vós me têm perguntado em que local tirei a fotografia que abre o meu blog.

Vou explicar!

Esta fotografia foi tirada ao raiar da aurora, no meu cantinho predilecto. É um lugar, da freguesia de Abragão, Concelho de Penafiel.
Dista do Porto 50 Km e é sobranceiro ao Rio Tâmega, por onde passeiam no verão barquinhos de recreio e motas de água.

Este lugar tem pouquíssimos habitantes e por isso se respira tranquilidade e bom oxigénio.

Aos poucos falar-lhes-ei mais deste sítio e deixarei que o conheçam por fotografia como aquelas que se seguem:






Um abraço
Licas